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Comprei uma bike e descobri que o mundo é legal pra cacete

7 07UTC MARçO 07UTC 2016 by admin

Em um dado momento, pesei as coisas, chequei meus gastos com transporte, vi que gastava uma nota à toa com Uber e táxi e resolvi agir.

Conta simples

É isso, comprei uma bike.

Com a bicicleta em mãos, recebi a visita de um amigo que me apoiou, montando a dita-cuja comigo, me ensinou a andar de forma segura no meio da cidade, ajudou a calcular a rota pra evitar subidas, ensinou a usar aplicativos e indicou acessórios.

Descobri a oficina do bairro, em uma rua bem perto de casa, em um beco sem saída, com uma fachada já marcada pelo tempo. Próximo à porta, um cachorro simpático, desenhado com canetão e um aviso: “volto logo”.

Quem chega, precisa se dispor a bater, como se fazia antigamente, para que o dono, um senhor de camisa azul e calça jeans folgada, já lento e curvado pela idade, guardando o maço de cigarros no bolso venha perguntar o que você quer.
Além dele, que é mais lacônico, há também o dono do velhinho cachorro “Campeão”, sorridente, externando de forma simples a sabedoria que adquiriu com a vida de pedreiro, fazendo perguntas sobre a bike e recomendando cuidado ao andar na rua.

“Avisa os seus amigos, não quero fechar isso aqui” — disse o senhor que consertou a bicicleta do meu amigo, apontando pra porta. Está avisado.

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É só ir lá, na rua Monsenhor Marcelo Branco, número 13.

Andando pelas ruas, ainda com aquele cagaço de novato, acabei me deparando com a colaboração dos motoristas, que dão passagem e respeitam muito mais do que, apavorado, eu imaginava.

Tomei café com leite e pão na chapa em um boteco que sempre via, mas que nunca encontrava o alinhamento perfeito dos astros pra eu criar vergonha na cara pra parar por lá.

Casas floridas, pinturas coloridas, mensagens importantes espalhadas pelos muros, centros culturais, restaurantes que desconhecia completamente, mas que já me propus a visitar. O bairro está cheio de coisa legal.

De carro e mesmo à pé, ou de metrô, eu estava sozinho. Já nas ciclovias, as crianças brincam e acenam. Senhoras simpáticas cumprimentam. Quando dou passsagem, as pessoas agradecem. E eu retribuo sempre que o mesmo ocorre comigo.

Amigos incentivam, perguntam, oferecem-se pra andar junto.

Faz pouco tempo, mas eu até já me sinto mais saudável também.

Quando pensava no assunto, algo em mim sempre me desencorajava. Afinal, o mundo é muito perigoso, os motoristas são loucos assassinos, faltam vias e as que foram construídas na cidade de São Paulo são mal planejadas, repletas de falhas. Você pode ser atropelado, podem te assaltar, o bairro tem muita subida, você vai chegar suado no trabalho.

Mas não.

Comprei uma bike e descobri que o mundo é legal pra cacete.

Sério, vocês deviam tentar.

5 Comments

  • Reply

    João Damasio

    11 11UTC abril 11UTC 2016 at 16:16

    Me identifico. Só não na questão de ter um amigo que mostrou como andar seguramente, nem na parte de ter topado com apps. Pela rotina e as distâncias, não consigo ir todo dia trabalhar de bike, mas duas a três vezes por semana sim. E partilho dessa sensação tua. mais um motivador pra mim é que a passagem aqui em Goiânia ta bem mais alta que a da tirinha. R$ 3,70 com apenas um terço da frota de meses atrás… não ta rolando.

    • Reply

      Luciano Andolini

      24 24UTC maio 24UTC 2016 at 22:12

      É, João, sei o sentimento. Mas vai na fé e força aí, cara. Espero que consiga adequar sua rotina pra curtir umas pedaladas. 😉

  • Reply

    Ju

    7 07UTC junho 07UTC 2016 at 23:15

    Vc bem que podia passar os ensinamentos Do seu amigo pra andar seguro pela cidade, né? 😀

    • Reply

      Luciano Andolini

      9 09UTC junho 09UTC 2016 at 00:25

      Essa pauta tá aqui na minha lista, Ju. Estou esperando ganhar mais experiência pra não falar besteira.

  • Reply

    Guilherme Amarino

    18 18UTC junho 18UTC 2016 at 17:14

    Boa experiência,

    Eu, faz tempo, penso em comprar uma pra mim. Andava muito quando era adolescente e nas cidades do interior tem bastantes opções pra tal. Agora adulto voltei a cogitar essa possibilidade, ir pro trabalho de bicicleta (10 km), para a casa da minha mãe (13 km) enfim, me sentir mais saudavel e disposto.

    Quem sabe após lê essa sua experiência eu faça isso de uma vez por todas!

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